sexta-feira, 12 de junho de 2015

Mentalidade Atípica



Se não é pseudolalia, o caso daquela governanta gerentona de vermelho lá no topo da hierarquia política, então, acreditemos numa coisa chamada cinismo mesmo. Para uma pessoa normal traçar um perfil desse comportamento é bem difícil. Uma questão bizarra é.. acreditar no que se vê? No que se ouve? No que se sente no bolso? Estamos loucos?

Às vezes é desconcertante assumir que não compreendemos a intenção de nossa governanta. Difícil ler reportagens diárias como o artigo http://ossamisakamori.blogspot.com.br/2015/06/ouvi-direito-dilma-defende-derruba-da.html), e não ficar meio constrangidos pela informação da leitura, ou nos perguntarmos... Para quem realmente ela se dirige quando fala? Para investidores imaginários? Para a elite que sustenta a economia? Para o grupo de pessoas menos favorecidas de instrução e informação? Para um grupo de pessoas com intelecto limitado?

Há um perfil para cada entrevista, mas nenhum deles é convincente. Nem é preciso ser craque em economia, pra saber que a declaração “...- O Brasil não tem um sistema financeiro com problemas, nós não tivemos nenhuma situação que caracterize desequilíbrio estrutural...”, dita na reunião de cúpula ainda essa semana em Bruxelas, é educadamente chamada de inverdade, muito embora conheçamos bem nome disso.

Ora, amigos, dizer em alto e bom som que... “O Brasil não tem um desequilíbrio fiscal estrutural”, nos dá por refletir e perguntar de novo...:  Para quem realmente ela se dirige quando fala? Recomendar que a população, sangrada em seu orçamento doméstico, endividada e sem controle algum dos parcos recursos já comprometidos com as contas estouradas, continue a consumir, beira as raias da tirania fabulesca.

Temos dois problemas? Seca do Nordeste e Ajuste Cambial? Por que as obras da transposição do São Francisco, jamais foram terminadas, apesar de ultrapassar os valores do orçamento em muito?

...o Brasil está “extremamente preparado” pra enfrentar o momento de crise...” Para quem ela realmente se dirige quando fala? Confessa a incompetência do Brasil para combater os “fatores externos”, como se a tecnologia atual, não fosse o suficiente clara para nos informar todos os dias que o mundo lá fora não está em crise.

...- Por que até hoje não saiu um acordo entre a UE e os Estados Unidos? Por que nunca saiu um acordo entre a UE e o Japão?...” Até mesmo o mais desinformado brasileiro saberia responder isso. Não há acordos, porque não precisam. Porque não há incompetência, porque não há uma equipe econômica praticando uma medida de erros de proporções irreparáveis. Por que há maestria e responsabilidade dos Estados Unidos e do Japão com seus povos. A grosso modo, não é a casa do vizinho, responsável pelo que acontece em nossa casa.

Fim de superciclo das commmodities?  Não teria querido dizer começo?

A duras penas, estamos começando a entender o que vai significar inflação em “duas casas decimais”, porque a grande maioria dos brasileiros simples, não sabe o que é PIB, então, dificilmente compreenderá o efeito da retração. Mas as gôndolas de supermercado..., essas sim, falam a verdade popular clara e compreensível para o povo gado brasileiro.

Dizer que a inflação é “atípica”, só pode ser característica de “mentalidade atípica”.  Então... Para quem realmente ela se dirige quando fala?

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Publicado originalmente em: Ossami Sakamori Blogspot

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Mídia o 4º Poder



            O que é de fato, nem sempre é de direito. Ledo engano, pensar que estamos num Estado onde há apenas três poderes governamentais. Enquanto a constituição federal brasileira oficializa legislativo, executivo e judiciário, a mídia, é reconhecidamente a eclipse de toda luz a que se destina ofuscar, tanto quanto pode ser o iluminador de toda sombra.
            Primariamente, o conceito que a define, reduz o seu papel para 'informativo', mas seu caráter é muito mais abrangente e pode categorizá-la em aspectos muito mais discutíveis em todas as esferas em que transita. Não ha risco de erro em defini-la como o 4º poder no Brasil.  Não é de direito, mas é de fato.
            A parte da mídia que orbita a política de hoje no Brasil, deveria ter a responsabilidade de informar de forma imparcial, integral, elegante, clara, acessível, e sobretudo verdadeira.
            Criar ilusões com o fim de proteger ideologias, partidos e pessoas, excede não só os limites de normatização de uma empresa, porque foge à regra da função a que se presta (lembremo-nos que mídias são empresas que prestam serviço e obedecem a mais de 650 normas, leis e portarias), mas também excede drasticamente os limites da ética e respeito à sociedade brasileira.
             A estrutura da grande mídia televisiva brasileira (que alcança todas as classes do país), está moldada em cima de parâmetros ditados pelos interesses financeiros. Nada mais que isso.  A ilusão de que o poder executivo ou qualquer um dos poderes oficiais controla a mídia em seu conteúdo, é um engano comum. Apenas o interesse financeiro forja os meios de comunicação brasileira e aquelas que não seguem o padrão imposto pelo dinheiro, sofrem a represália dos órgãos reguladores (é o caso da mídia de oposição alternativa que se financia a si própria).
            A verdade, é que aquela TV nacional mais atuante, chega aos mais remotos lugares do país e tem distribuído mentiras e silêncios sobre personalidades infames e seus malfeitos, modificando o rumo e os valores de nossa sociedade, a uma velocidade tal, que às vezes é difícil até assimilar.
            As notícias, sob a distinta e elegante figura do repórter âncora do jornal das oito, não conseguem se alinhar com sua própria expressão facial de quem conhece a diferente verdade por trás das palavras. É decepcionante ver um homem de joelhos dobrados diante de tamanha hipocrisia. Então... me pergunto se todo mundo tem um preço, como costumamos ouvir dos mais descrentes na honra brasileira. E só estou falando em jornal das oito...
            Estamos em minoria, nós que nos sabemos honrados. Está mais que claro que os valores de honra da nossa sociedade já foram extintos, há tempos idos, com a disciplina “Moral e Cívica” que norteava nossos ideais desde os tempos de escola.
            Estamos sob o jugo da mídia, não do governo. É a mídia a grande controladora de tudo. Bastava que aquele homem atrás da bancada do jornal das oito se pronunciasse, que tivesse a coragem de nos salvar, que abandonasse a covardia que o modela hoje, bastava que todos os jornalistas se unissem em voz única e dissessem em frente às grandes e realmente fieis angulares,  que nada escondem de bem, nem de mal, para que fosse decretada nossa liberdade do poder algoz que hoje nos oprime.
            Bastava que fossem sinceros, que fossem piedosos, que se compadecessem dos seus irmãos brasileiros, que falassem, falassem, falassem e dissessem a notícia sem aparar as arestas. Que noticiassem “o que é importante” de fato. Que nos permitissem escolher de posse da verdade.. o que fazer depois. Não é o governo que os paga, por que nos enganam?
            Bastava que nos permitissem saber “o que importa” de forma crua e verdadeira. Não é o governo que nos engana, pois esse tem deflagrado toda sorte de desgraças, sem a preocupação de esconder, porque bem sabe que o 4º poder, sim, o fará de joelhos dobrados.

Por: Mônica Torres
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Publicado originalmente em: Blog do Mundoxxx

segunda-feira, 1 de junho de 2015

"V" de Vingança



            É curioso a gama de experiências traumáticas e suas consequências, que uma pessoa pode suportar. O ser humano é surpreendente em seu leque de comportamentos.

           É sabido que um trauma não se origina no acontecimento traumático propriamente, mas na forma com que o sistema nervoso responde completa ou incompletamente a esse evento, podendo transformar-se ou não em “trauma”. Eventos traumáticos vão desde ataques, desastres naturais, abusos...,  até à  'tortura'. Esses eventos podem ser de curta ou longa duração, ou ainda repetitivos, como as torturas, ou ameaças à vida, alegadas por exemplo, pelas pessoas que passaram pelo crivo do período militar no Brasil, sob a custódia prisional de carrascos. 

            Afunilando e trazendo a questão para as vítimas de tortura do período militar, são surpreendentes alguns  comportamentos de caráter ora resistente, ora inquieto e desconexo. Então é impossível não trazer à tona aquela lembrança imediata de alguém conhecido que passou por lá. 

            Segundo o Dr. Peter Levine (PhD em psicologia e biofísica) especialista em transtornos de trauma, essa é a causa do sofrimento humano mais confundida e mal curada. Há uma infinidade de sintomas    atribuídos a traumas, mas em igual número, há diagnósticos totalmente equivocados.

            A questão crucial no comportamento arrogante e desconexo de uma pessoa que tenha sofrido esse tipo de evento, é:  Até onde pode-se ler trauma e até onde se ilumina traços de caráter vingativo, quando pessoas assim exercem algum tipo de poder? Não dá pra não trazer à memória, situações testemunhadas de discursos e diálogos desconexos, falas impacientes, mudanças drásticas de decisões, etc. 

            Encarando como trauma, é correto assumir que há um impedimento natural óbvio, de que exerçam cargos de poder que os confira responsabilidades no topo da hierarquia social. É desconcertante imaginar que uma pessoa com traumas provenientes de tortura, com visíveis momentos de intolerância exacerbada,  discursos desencontrados, cheios de lacunas.. desconexos.. possa conduzir com destreza o destino de uma só pessoa que seja, e tão menos, o destino de um país inteiro. É perigoso, imprudente e resvaladiço, concordar ou aceitar essa iniciativa. Mas é o que temos permitido todos os dias.

            Se não por traumas, mas pela têmpera vingativa resultante de frustrações e realizações interrompidas, de ilusões desfeitas, teses derrubadas, ideais fracassados, surge delineado um perfil perverso, cuja vingança é o único combustível.

            De uma ou de outra forma, o poder não pode ser o prêmio de quem ostenta esse desequilíbrio.

            O mal, que vem junto com os cartões de benefícios, não traz sequer os dons da delicadeza, nem projeta através de seus gestos a tolerância. Arrogância e desdém são traços já nem tão disfarçados em sua postura ilusória de poder. Com os programas traçados em mesas de sociedades obscuras, ideologias perversas celebradas à luz da conveniência, também vieram as contas dessa frustração, dessa vingança. E nós, igualmente permitimos.

            Perplexos, assistimos o desenrolar sinistro, a profusão de insanidade, o festim exasperado de pecados, de maldades, de improbidades, de truculências.

            Perplexos, nos resignamos em nossas condições de observadores, sem querer acreditar que tudo.. tudo não passa de “vingança”.

Por: Mônica Torres
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Publicado originalmente em: Grupomoneybr