domingo, 10 de maio de 2015

Moeda de Troca



            Sem dinheiro para negociar as propostas imorais idealizadas nas alcovas do palácio, o governo lança mão de mais uma manobra vil e abominável, a troca de cargos por apoio e votos.

            Sim, estamos mesmo no meio de um festival de falcatruas, enroladas, tramoias e chantagens. Nada escondem, porque sabem que a grande massa inerte que é a maioria do povo, está preocupada só com o cotidiano visível e o capítulo final de uma novela, coincidente com a aprovação das medidas.  Ótima ocasião para lhes decretarem o esvaziamento dos bolsos daqui por diante, sob o título pomposo de “Ajuste Fiscal”.

            Quem presta atenção, vê claramente uma manobra covarde dos dois lados. Por um lado os que chantageiam, submetendo a aprovação da nossa “pena”, à nomeação de mais cargos para apadrinhados que levarão mais dinheiro da máquina pública ou serão peões de substituição, e o governo que de outro lado, nos trai, em total conivência, fazendo as nomeações sabe-se lá de quantos apadrinhados (fala-se em mais de 70 cargos a serem nomeados em 48 horas), consolidando a sentença de falência do trabalhador brasileiro.

            Alguém aqui em baixo vai ao supermercado comprar ingredientes para o almoço de domingo dia das mães, e até percebe o preço caríssimo, mas não sabe de fato o preço real pago que pariu essa sensação frustrante de “não poder”. Mas isso só acontece aqui em baixo, onde não se vê, onde não se sabe ao certo, onde não se publica no horário nobre a troca de cargos por aprovação de medidas  que sentenciam o trabalhador e todo o conjunto de dependência à sua volta.

            Sentença e punição. A aprovação de medidas como a MP 664 e 665, que trata da “mão nos bolsos” dos trabalhadores ativos e inativos, é uma sentença, porque além da intenção que encerra seus conteúdos, essas medidas vêm à vida através de conchavos, manobras e trocas de favores bem orquestrados. Mais intrigante ainda é quando lemos os nomes e as legendas dos parlamentares atuando nessa manobra. Por contra ou a favor da “sentença”, alguns nomes nos surpreendem. De toda forma saímos perdendo.

            Só lembrando o Barão de Itararé... “Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados”. É uma pena pesada que pagamos diariamente pela negociata no balcão lá em cima. O governo não se importa com as consequências dessa negociata, nem para o povo, nem para si mesmo, sem querer admitir que já está cambaleante na linha de fuzilamento. Teriam mais munição?

            A moeda de troca, são trunfos guardados como em jogos de tabuleiro do tipo.. pague a prenda ou volte seis casas. Vence o mais astuto, mas o prêmio continua sendo os nossos bolsos.
Por: Mônica Torres
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Publicado originalmente em: Ossami Sakamori Blogspot

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Cordeiros e Lobos



A alma do sucesso de um projeto de qualquer ordem, é e sempre foi o planejamento.  Seja ele de carreira, de realização pessoal, de política, de ideologia ou “de poder”. Esse raciocínio não está sujeito ao caráter da ideia de projeto. Esse sucesso obedece apenas à organização, planejamento e persistência de execução.

Entre os erros corrigidos pelo partido de esquerda vigente no Brasil do PT, está evidenciado o espírito autocrítico, outrora deixado à parte. Apure-se a análise e dirija-se a atenção para organização do partido e há de se ver um exemplo de ‘organização e métodos’ em seu funcionamento pleno. 

30 anos passados de governo civil, os simpatizantes da ideologia opressora do sociocomunismo, gozam da robustez da estrutura renascida através de células poupadas pelo regime militar. Hoje travestida de democracia, se consolidando em seu último estágio: a seleção populacional. Digo seleção, porque há um claro interesse no comunismo em permitir a sobrevivência apenas de seus submissos. Essa seleção pretende permitir sobreviver a massa que lhe sirva de sustentação, que lhe dê segurança e garantia de um capitalismo sólido e um acumulado de bens só para o topo da pirâmide.

É uma teoria vil, bem planejada, repetida sistematicamente em doces palavras, que aliciaram os mais simplórios, os mais ignorantes. O sociocomunismo no Brasil, tem aspectos bem particulares, é caracterizado pelo oportunismo, pela cultura do jeitinho e pela flexibilidade das leis e seus representantes.

Os passos trilhados por essa ideologia nefasta transformada em partido, foram bordejando os mais diversos grupos de instituições e poderes, nas pessoas de caráter vulnerável de seus representantes. Aparelhamento persistente, corrupção sistemática, o Brasil sucumbiu à sedução dos presentes, das benesses, dos ganhos fáceis, das negociatas oferecidas pelo inimigo, até transformar-se num balcão internacional de negócios. Um judiciário corrompido, um povo cordeiro cercado por um covil de lobos, prontos a abocanhar-lhe os ganhos.

A maioria de nós, não tem mesmo noção de como se dá uma sessão no plenário, como as alianças são feitas.. nem mesmo quais são os benefícios e ganhos daqueles que escolhemos por representantes. Mas a grosso modo, lá em cima há uma “briga de cachorro grande” enquanto a caça assiste a tudo distraída, sem fazer ideia do objetivo da pauta.  Tão simplório é nosso povo, que esses chacais, nem se dão sequer ao trabalho de disfarçar seus objetivos.

Não há pecado sem castigo. E isso vale para todos. Amargamos hoje os erros de termos permitido esse ovo de serpente crescer, fortalecer-se e trazer à luz o mais diabólico ninho de cobras. Mas tempo haverá em que o povo, mesmo sem o temperamento necessário para as lutas, será socorrido pela única aliada de sua causa, a quebra da economia, que os fará darem-se as mãos e unir-se em bandos de cordeiros bravos a transformarem-se em bravos guerreiros.

Por: Mônica Torres
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Publicado originalmente em: Grupomoneybr

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Quase Democracia é Quase Ditadura



            Nos últimos tempos, nos transformamos mesmo em “quase” tudo de ruim. Considerando a margem de erro clássica de “para mais e para menos” que até já virou até piada nas redes, o país do partidão acabou com nossas esperanças de sermos “The Champions” em qualquer coisa de bom valor mensurável nos padrões mundiais.

            Perdemos posições no ranking de quase todos os padrões. Mas para citar alguns verdadeiramente importantes: o PIB, que em 37 posições avaliadas ficou na trigésima sexta (em 2014);  o ranking de educação nos levou à posição 38 de 40; o ranking internacional de competitividade, em que caímos para a posição 57 e etc . Estranhamente, nesse último caso,  conseguimos com esse governo, ficar atrás de países como Costa Rica, Panamá e África do Sul.

            Ainda mais curioso, é saber que o governo PT investiu através de empréstimos, US$ 152,8 milhões,  só numa via rodoviária no Panamá.. enquanto éramos batidos pelos panamenhos nesse ranking de competitividade. Somos ricos , não é?

            Então me debato no meu raciocínio simplório (de que uma unidade é uma parte de um todo) e trago tudo para a lógica básica da economia doméstica simples, a fim de que eu mesma consiga compreender o significado disso tudo.
            De onde vem todo esse dinheiro que não conseguiu nos colocar em 1º lugar em coisa alguma no mundo, mas financia obras que alavancam boas posições de outros países? É como se perguntar em casa, como podemos financiar uma piscina no vizinho, enquanto nossa situação não nos garante ao menos que tenhamos um quintal decente?

            Nesse instante, lembro-me das palavras de Margaret Thatcher em que diz: “...O estado não tem outra fonte de recursos, além do dinheiro que as pessoas ganham por sí próprias...” e “...não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”.

            Está na cara que pagaram essa piscina no vizinho, com o dinheiro que ganhamos. E mais ainda, se foi mais caro do que podíamos, a dívida entrará pelos nossos bolsos, bem no fundo. Agora vem a parte cruel do acordo, há um agente que negociou tudo em segredo e nós nem sequer sabemos os termos desse acordo. Esse agente é representado pelo governo cujo papel de ditador tem exercido brilhantemente dentro de nossa própria casa.

            O Brasil tem vivido, assim por dizer, uma “quase ditadura”, contrabalançada por uma “quase democracia” que desaparece sumariamente dia após dia, enquanto a ditadura toma vulto. Em que acreditar? Bem, em nossa casa precisaríamos exercer nossa capacidade de cuidar dos nossos. Reaver a autoridade de legítimos proprietários, remover o agente pernicioso intermediário, e tomarmos nós mesmos as rédeas de nossos destinos. 

            Quem sabe, sem a mão tirana do estado que hoje nos oprime, possamos projetar nossas posições para cima em rankings mundiais.. quem sabe possamos apagar o estigma do “quase” que nos tem arrastado  por águas tão turbulentas.

Por: Mônica Torres
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Publicado originalmente em: Grupomoneybr